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Porque comemos Bolas de Berlim na praia?

«Olhà bolinha. Doces e fofas com’às minhas. Com creme e sem creme. Olhà bolinha…».

A história repete-se em praticamente todas as praias da nossa costa e provavelmente poderá deixar muitos turistas incrédulos, “porque gostam os portugueses de comer este bolo pesado e frito à beira-mar?”. Nós fomos saber a resposta.

Num dia bom um vendedor chega a aviar mais de cem bolas de berlim nas praias da Caparica.

Ainda a manhã vai a meio e já um vendedor de Bola de Berlim tem vários quilómetros percorridos pelo extenso areal enquanto carrega no ombro uma caixa térmica, cheia de deliciosos e gordurosos bolos, com creme ou sem creme, ao gosto do freguês. Se o dia estiver a correr bem, terá que voltar várias vezes à carrinha para abastecer o stock.

Num dia um vendedor nas praias da Caparica, às portas de Lisboa, chega a vender mais de 100 bolas. Os preços da bola de berlim variam entre 1,20€ e 1,50€, com ou sem creme, respetivamemte. Há quem tente vendê-las a 2€ nas praias mais populares.

Para o consumidor, uma bolinha fica mais ou menos ao preço de um gelado, mas para o vendedor as margens são bem maiores.

Os gelados já foram os reis dos areais portugueses há cerca de 15/20 anos, mas agora apenas se encontram nos cafés e bares à beira da praia.

A maior parte dos vendedores têm acordos com panificadoras que asseguram a produção das bolas e, devido às compras em grandes quantidades, vendem-nas mais baratas por unidade. Em Lisboa, as bolas saem da panificadora a cerca de 0,50€, garantindo margens de lucro muito interessantes para os vendedores que as conseguem vender por 3 vezes mais.

O verão no Algarve é ainda mais tentador para os vendedores, conseguindo comprar as bolas a 0,35€ e garantindo um retorno que pode ultrapassar os 300%.


Mas afinal, o que nos leva a comprar uma Bola de Berlim na praia?

Dificilmente se sabe a origem deste hábito dos portugueses comerem bola de berlim na praia. Todos nós já nos perguntámos porque as bolas de berlim sabem melhor na praia do que em qualquer outro lugar.

A verdade é que as bolas de berlim são trazidas até nós num contexto de tranquilidade e muitas vezes de férias e, não querendo arruinar o momento mágico que é comer uma bolinha com creme na praia, se nos trouxessem uma queijada será que não compraríamos na mesma? Será que por a praia “cansar”, dar fome, estamos dispostos a comer qualquer coisa que seja doce?

Os portugueses consomem uma média de 200 mil bolas de berlim por dia.

Existe uma tese que defende que as bolas de berlim são um sucesso porque é um contraste do doce com o salgado. Ou seja, quando se tem a boca com sal depois de ter ido ao banho, sabe bem comer alguma coisa doce.

O próprio formato é também um motivo, é fácil de agarrar e comer na praia, se por acaso nos sujarmos com o creme e o açúcar, sabemos que podemos ir ao banho.

A moda pegou e agora é tradição, mas antigamente só se vendiam bolas sem creme na praia, por uma questão de ser mais apropriado ao calor. Anos mais tarde, os vendedores começaram também a levar bolas com creme.

Em muitas praias do Norte de Portugal, o bolo mais comum não é a bola de berlim, é a bolacha americana.

Os portugueses gostam mesmo de bolas de berlim

Os números não deixam mentir, os portugueses consomem em média, duzentas mil bolas de berlim por dia. É o terceiro bolo mais vendido no país, apenas ultrapassado pelos pastéis de nata e os croissants.

Porque se chama Bola de Berlim?

Não acha estranho que um dos bolos mais populares do nosso país tenha o nome de uma cidade alemã? Nem tanto, uma vez que a origem das bolas de berlim estão precisamente na capital da Alemanha.

Chegaram a Portugal em 1935, quando uma família judia alemã – um casal com duas filhas – procurou refúgio em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial.

O pai, ainda que fosse consultor de galerias de arte na Alemanha, dedicou-se à relojaria em Portugal enquanto a mulher cuidava da casa e das filhas. Mas num país estranho com naturais apertos financeiros e com a dificuldade de importar relógios da Suíça e Alemanha, teve que procurar outras soluções de sustento.

Assim, tornou-se vendedor ambulante de quinquilharias. A mulher, em casa com tempo livre, começou a fazer bolas de berlim caseiras e o marido começou a levar algumas nas suas vendas. As bolas de berlim foram um sucesso e a família deixou um legado que perdura até hoje.

Nesse tempo, as bolas eram igualmente fritas mas recheadas com creme de frutos vermelhos. E uma década depois da família alemã ter chegado a Portugal, havia pelo menos um estabelecimento em Lisboa que as servia, havendo relatos escritos de um café na Avenida da Liberdade «onde as pessoas se sentavam à sombra das árvores altas, comendo bolas-de-berlim cobertas de calda de açúcar e acompanhadas de chá frio».

É ou não ilegal vender Bolas de Berlim na praia?

É legal. Há uns anos a ASAE promoveu uma ação de fiscalização sobre as bolas de berlim que fez nascer o mito. Mas a ação incidiu sobre o processo de fabrico e não a sua comercialização.

A ASAE apenas adverte que “a legislação determina é que esses produtos devem estar protegidos de qualquer forma de contaminação”.

Existem notícias da Polícia apreender e destruir bolas de berlim mas estão relacionadas com o facto do vendedor não possuir licença e transportar os bolos sem condições de higiene.

Ou seja, o vendedor precisa de possuir licença e transportar as bolas de berlim numa viatura com caixa isotérmica para transporte de alimentos. Para além disso, precisa ter um documento comprovativo do local e hora de fabrico.

O que os nutricionistas recomendam comer na praia?

Com os longos dias de praia no verão, não devemos cair na tentação de não levar nada de casa e ficar horas sem comer. Ir até à esplanada comer um hambúrguer ou comer uma bola de berlim, batatas fritas ou o gelado, é sempre uma tentação, mas devemos levar connosco refeições leves e frescas.

Apresentamos alguns conselhos de nutricionistas que vão tornar a sua ida à praia mais saudável e barata!

  • Sanduíches com alguns destes ingredientes: alface, tomate, frango, atum, queijo fresco ou salmão fumado;
  • Saladas de grão com bacalhau ou feijão-frade com atum;
  • Cenouras cruas;
  • Tomates cherry;
  • Iogurtes;
  • Ovo cozido;
  • Peças de fruta;
  • Muita água.

Receita de Bola de Berlim

Porque não é só na praia que nos apetece comer uma Bola de Berlim, assistam ao vídeo para aprenderem a fazer a Receita de Bola de Berlim.

Comer uma bola de berlim na praia será sempre um dos insondáveis mistérios da existência, mas que assim continue. Aquele momento em que vemos no horizonte o homem de branco a anunciar a bolinha, orgulhosamente levantamos o braço para o chamar e pedimos uma para nos deliciarmos. Faz-nos ganhar o dia.

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